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Cristã paquistanesa será enforcada por blasfêmia


"Manifesto hoje, de modo particular, a minha solidariedade para com a senhora Asia Bibi e sua família. Peço que lhe seja restituída a plena liberdade, o mais rapidamente possível", afirmou Bento XVI, que falava na Praça de São Pedro, em Roma.

A situação de Asia Bibi foi também evocada pelo ministro para as Minorias, Shahbaz Bhatti, o único cristão no Governo de Islamabad. Adversário da legislação sobre blasfémias, em vigor desde 1986, Bhatti revelou ontem às agências noticiosas que o Executivo indicara às autoridades locais a "necessidade de se proceder a nova investigação, que cumpra todos os requisitos legais", o que não sucedeu com aquele de que resultou a condenação.

Na mesma ocasião, o ministro tornou claro que "deve ser garantida a segurança" de Asia enquanto estiver presa. As execuções extrajudiciais de cristãos são frequentes no Paquistão. Estes são muitas vezes atacados nas ruas por grupos de muçulmanos radicais.

Um recente exemplo destes ataques verificou-se na cidade de Faisalabad, em Julho, quando os irmãos Rashid e Sajid Emmanuel, respectivamente de 32 e 30 anos, foram abatidos a tiro por um grupo de cinco indivíduos ao serem levados, sob custódia policial, do tribunal de volta para a prisão.

Os irmãos Emmanuel eram acusados de terem escritos textos a denegrir a figura de Maomé.

Outra situação frequente é a discriminação das populações cristãs, relegadas para empregos menores ou funções ingratas. A nível local, os cristãos são muitas vezes expulsos, as suas casas destruídas e os seus terrenos ocupados. Segundo grupos de apoio aos cristãos perseguidos, muitos destes são forçados a viverem como refugiados no seu próprio país.

Até hoje, nenhum acusado de crimes de blasfêmia veio a ser executado

O caso de Asia Bibi, habitante da vila de Ittanwali, teve o seu início em Junho de 2009 quando aquela, num dia de trabalho nos campos, se preparava para recolher água de um poço. Um grupo de mulheres impediu-a de segurar o balde do poço, porque, sendo uma "infiel" (designação dos cristãos entre os muçulmanos) era uma "mulher impura".

Quando Asia Bibi argumentou que o cristianismo era a verdadeira religião, as mulheres acusaram-na de estar a insultar Maomé e, na discussão que se seguiu, alguns homens a trabalhar nas proximidades tentaram agredir a paquistanesa.

Asia Bibi fugiu, mas foi perseguida e muitos dos habitantes de Ittanwali atacaram a sua casa e agrediram-na. No dia seguinte, o imã local apresentou queixa na polícia por blasfêmia, e Asia foi detida.

O juiz que condenou Asia Bibi escreveu na sentença que esta fora justamente acusada de blasfêmia, negando a existência de quaisquer circunstâncias atenuantes no seu caso, segundo o texto do veredicto consultado pela AFP.

O islão paquistanês tem vindo a radicalizar-se desde os tempos do regime militar do general Zia-ul-Haq entre 1978 e 1988. O general apostou na islamização do país numa conjuntura marcada pela invasão soviética do Afeganistão e como instrumento para travar a influência do comunismo na região.
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