Quem é bom?

16 março 20110 comentários




Há um tempo alguém me perguntou qual era diferença entre as religiões. Claro que entre práticas e doutrinas eu saberia distinguir e responder àquela pergunta, mas, Deus falou profundamente aquele dia.

Certa vez li uma reportagem sobre uma mãe que jogou seu bebê no lixo. Enquanto essa mãe ia presa, muitos que estavam ali se disponibilizaram a adotar aquela criança. Provavelmente havia ali pessoas de várias religiões e até mesmo alguns sem nenhuma prática religiosa oferecendo seu lar para aquele bebê que acabara de nascer. Muitos que leram aquela matéria, assim como eu, ficaram comovidos com toda aquela mobilização e chegaram a dizer: “ainda existe amor na humanidade”.

Ai está a diferença entre Jesus e as religiões. Enquanto todos estão dispostos a adotar aquele bebê, Jesus é o único capaz de adotar aquela mãe. E mais do que adotar nós podemos afirmar que Ele morreu por ela! Isso me impressiona: Jesus não morreu por que o mataram, mas Ele foi o único que morreu de tanto dar a sua vida.

Sabe de uma verdade, nenhum de nós pode dizer realmente que é bom (e nem o próprio Jesus disse isso) a não ser o próprio Deus. A nossa bondade (e afirmo isso supondo que adotaríamos pelo menos o bebê) e nossa misericórdia não são coisa alguma perto daquilo que Deus é. Por isso Ele é o único que É, o “Grande Eu Sou”! Capaz de mandar Seu Filho para morrer por um ladrão. E não é o bom ladrão como aprendemos nas “historinhas” e subtítulos bíblicos, é um mau ladrão como qualquer outro (e como nós mesmos).

No fundo ainda somos aquele pregador escatológico que está mais voltado a condenar os outros para o inferno do que salvar suas vidas. Somos como Tiago e João quando queriam consumir a cidade com fogo vindo dos céus.

E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia. Lucas 9:54-56

O máximo que conseguimos chegar é com algo do tipo: Ah, que bom seria se todo ladrão fosse crente! Assim eu não precisaria contratar seguro pro meu carro e não roubariam meu celular. Afirmo como um jovem consumista que sou: os cristãos, e principalmente os jovens, tem entregado sua vida muito mais ao seu novo tênis e seus “MP sei lá que número” do que às vidas que morrem. Quem de nós seria capaz de salvar a vida de um ladrão ao invés de seu carro ou seu celular?

A verdade é que Cristo morreu pelo casal Nardoni, pelo Bruno (ex-goleiro do Flamengo) pela mãe que jogou seu bebê no lixo e pelos traficantes do Rio; não pelo seu tênis. Vi muito crente torcendo pra matarem todos os esses “bandidos” e para que eles fossem condenados… Mas hoje eu aprendi a me conter com a misericórdia que salvou minha vida mesmo eu sendo o mais pecador.

Lúcio Guaratto 
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