Os Exaltados Serão Humilhados

05 dezembro 20100 comentários


Ao produzir o estudo sobre a derrota de Israel para os moradores da cidade de Ai, fiquei a meditar em como nós, cristãos, temos o hábito de tantas vezes nos julgarmos especiais, escolhidos, abençoados. Revestidos desses adjetivos, corremos o sério perigo de nos tornar soberbos. Além do fracasso pessoal, essa situação toda acarreta mal testemunho e afasta outros do Reino dos céus.

Não é difícil conhecer pessoas que têm verdadeira ojeriza à cristão, justamente por se sentirem inferiores na presença destes que, impiedosamente, criticam o semelhante até mesmo por terem sido vitimados por um resfriado:

- Atchim!
- Que é isso rapaz, tu não tem fé não?
- O gripado meio sem entender, ainda limpando a secreção do nariz, pergunta assustado: Por quê?
- Ah, se vós servísseis o deus que sirvo não estaria doente

Ai, ai, ai. Oh céus! Onde foi parar a misericórdia do irmão? Anos de igreja e sapato de fogo assim pra nada? É triste, porém é muito mais comum do que pensamos. Fala a verdade: Você não conhece alguém assim? Não já foi criticado por estar sofrendo? É por estas e outras que encontrar um conselheiro fiel é tão raro quanto agulha em palheiro.

Mas ninguém está livre desse “complexo de ungido”. Vez por outra também sou traída pelo sentimento de exclusividade que outrora assolou Israel. Semana passada fui à Previdência receber minha carteira médica, eram três guichês e em cada um havia um cliente. O motivo da fila tão curta era: Sistema fora do ar. Logo me vi sozinha ali, com as três funcionárias fechando gavetas, desligando o ar condicionado, daí perguntei:

- O horário não é até duas da tarde?
- Sim, mas quando o sistema sai do ar só volta no dia seguinte, já estamos acostumadas com isso.
- Ah, mas ele vai voltar sim. Não dei viajem perdida e vou esperar, daqui a pouco tudo vai funcionar em nome de Jesus!
- Me olharam assim com desprezo: “coisa de crente, só pode ser”. Citar Jesus é meio cafona para quem não O conhece.

Não demorou três minutos quando lá vem o barulhinho da impressora, era minha carteira saindo. Incrível!! É coisa de crente! Parti dali toda satisfeita, cheia de orgulho e falando baixinho para Deus: É Senhor, há diferença entre o crê e o que não crê, sou mesmo especial. E nesse clima de exaltação a mim mesma, me dirigi ao caixa eletrônico para sacar uns reais.

A fila também estava pequena, mas quando chega a minha vez: “desculpe, esse terminal está em manutenção”.  Era hora de recitar Lucas 14:11: "Aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” o jeito era seguir para  outro caixa eletrônico a alguns quilômetros de distância. Era um bom tempo para refletir sobre minha condição de reles mortal, afinal, o “terminal da vida” a qualquer momento pode entrar em manutenção para qualquer pessoa sob a face da terra.
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